Estou passando por uma fase complicada com a Manuela. Ela que sempre foi super "boazinha" está fazendo birras, manhas e me desobedecendo muito.
A princípio achei que pudesse ser só pelo nascimento da irmã e ela estar com ciúmes mas acho que isso somado a famosa 1a adolescência está me deixando maluca.
Tudo que eu peço para ela fazer , ela não quer e se eu forço ela faz birra. Quando ela quer uma coisa e eu ainda não sei o que é porque ela não me falou, ela já começa a fazer a maior manha e chorar. Eu falo para ela que eu não sei o que ela está querendo e que ela precisa me falar antes de começar a chorar.
Quando ela vai fazer algo que não pode e eu a repreendo, ela simplesmente ignora o que eu estou dizendo e continua fazendo aquilo que mandei-a parar. Ai eu vou converso, coloco-a de castigo e parece que ela não está nem aí. Na minha época, eu obedecia meus pais com um simples olhar. O que acontece com as crianças de hoje que não obedecem e não tem medo dos pais???
Fui atrás para entender um pouco o que está acontecendo com ela para lidar melhor com a situação e encontrei um artigo interessante do bebe abril.
1. O que é a chamada “adolescência do bebê”?
A adolescência do bebê, primeira
adolescência ou os “terrible twos” – terríveis dois anos, em inglês –, como
citado na literatura, é a fase em que a criança passa a se comportar de modo
opositivo às solicitações dos pais. De repente, a criança que outrora era tida
como obediente e tranquila passa a berrar e espernear diante de qualquer
contrariedade. Bate, debate-se, atira o que estiver à mão e choraminga cada vez
que solicita algo. Diz não para tudo, resiste em seguir qualquer orientação, a
aceitar com tranquilidade as decisões dos pais, para trocar uma roupa, sair de
um local ou guardar um brinquedo. Para completar, não atende aos pedidos e
parece ser sempre do contra.
2. Esse comportamento é comum em qual idade?
Normalmente, acontece a partir de 1 ano e
meio até os 3 anos de idade.
3. Existe alguma causa?
A causa para esse período é simplesmente o
próprio desenvolvimento natural da criança. A fase dos 2 anos de idade é um
período de grandes mudanças para ela. Até então, o pequeno seguia os modelos e
as decisões dos pais. Gradualmente, ele passa a se perceber como indivíduo, com
desejos e opiniões próprias, e isso gera uma enorme necessidade de tomar
decisões e fazer escolhas por si. Sem dúvida, isso acaba gerando uma grande
resistência em seguir os pedidos dos pais. Não é exatamente uma ação consciente
da criança, mas uma tentativa de atender a esse desejo interior, a essa
descoberta de si como um ser independente dos pais. No entanto, ao mesmo tempo
em que ela quer tomar suas decisões, ainda tem muitas dificuldades para
fazê-lo, dado que ainda não tem maturidade suficiente. Ela discorda até dela
mesma! Se você pergunta o que ela quer comer, naturalmente ela responderá:
“Macarrão”. Mas, quando você chega com o prato de comida, ela diz: “Eu não
quero isso!” Suponha que você está com pressa para ir a algum lugar. Seu filho
está de ótimo humor até você dizer: “Preciso que você entre no carro agora”.
Ele fará tudo, menos atender à sua solicitação. É uma fase difícil para os pais
e também para as crianças. É uma experiência intensa emocionalmente e repleta
de conflitos, pois, ao mesmo tempo em que a criança busca essa identidade, ela
não quer desagradar seus pais – por mais que isso não pareça possível.
4. Existe alguma maneira de evitar que o
bebê passe por isso?
Não há a necessidade de tentar evitar esse
período e nem há como fazê-lo. O importante é conhecer e lidar de modo
construtivo com essa fase dos pequenos.
5. Todas as crianças passam por isso?
Não é uma regra. Algumas crianças demonstram
essas características mais intensamente do que outras.
6. Como agir quando a criança se joga no
chão e grita em um lugar público, como o supermercado e o shopping?
Primeiramente, descarte palmadas, tapas, puxões
de orelha ou qualquer outro comportamento agressivo para tentar conter uma
birra. Antes de sair, converse com o seu filho e o contextualize sobre o
passeio. Se for supermercado, por exemplo, diga como espera que ele aja, o que
ele poderá pegar para si etc. Se forem a um restaurante, faça o mesmo, explique
aonde vão, como espera que a criança se comporte e as consequências para o seu
mau comportamento. Jamais ceda às manipulações, como choros, pedidos de ajuda e
reclamação de possíveis desconfortos. Avise-o de que só vai conversar depois
que ele se acalmar. Opte por disciplinar a criança após a birra, que é o
momento em que ela está colocando para fora sua frustração e seu
descontentamento. Após ela parar de fazer a birra, você se abaixa para
conversar. É sempre muito importante que a criança compreenda o que fez e o
porquê de sua ação. Evite dar broncas e repreender seu filho na frente de
outras pessoas para que ele não se sinta constrangido e você também. Uma dica
bacana para mudar o foco da birra é chamar a atenção da criança para outra
situação. Mostre um objeto ou comece a falar de outro assunto. Ignorar a birra
costuma dar ótimos resultados. Em lugares públicos, se a birra persistir e você
estiver se sentindo constrangida, tire o seu filho do ambiente sem demonstrar
irritação e sem conversar. Sua atitude mostrará desaprovação.
7. O que fazer quando o pequeno bate nas
pessoas quando é contrariado?
Esse “bater” normalmente é a expressão do
seu descontentamento, o que, no caso, não é aceitável. É importante ressaltar
que as crianças, assim como nós, adultos, também ficam bravas, tristes,
frustradas e chateadas – isso é natural do ser humano. Ao longo da vida, ela
vai se deparar com diversas situações que despertarão esses sentimentos nelas e
a infância é a melhor fase para aprender a lidar com esses sentimentos
inevitáveis. Assim, se quiserem contribuir de modo positivo com o
desenvolvimento emocional e psicológico dos pequenos, os pais devem parar de
tentar poupá-los de situações frustrantes e passar a explicar esses
sentimentos, apontando caminhos para que consigam lidar com eles. A criança não
nasce sabendo a lidar com seus sentimentos, ela testa suas ações e vai
construindo seus modos de agir.
Quando ela bate em alguém, imediatamente
deve ser contida e, em seguida, os pais devem abaixar-se na altura da criança,
olhar fixo em seus olhos e com voz firme conversar que entendem que o pequeno
esteja bravo, mas que sua atitude é inaceitável. Explique que, se aquilo voltar
a acontecer, haverá consequências negativas para ela, citando quais serão.
Lembre-se de que essas consequências deverão ser algo possível de ser feito
porque, se a criança repetir o comportamento desaprovado, você deverá cumprir o
que falou.
8. E quando a criança bate com a cabeça na
parede ou faz coisas para se machucar porque ouviu um “não”?
Em geral, as crianças recorrem a esse tipo
de autoagressão como mais uma tentativa de conseguir a atenção dos adultos e,
quase sempre, conseguem porque descobrem que esse comportamento provoca comoção
nos pais. Por mais que possa preocupar, os pais devem manter a ideia de que
“sem plateia não há show”. O ideal é conter a ação da criança sem dar atenção
ou demonstrar comoção pela atitude. Você pode, por exemplo, colocar um
travesseiro ou uma almofada embaixo da cabeça dele e sair de perto, ou tire o
pequeno do local onde está sem conversar e coloque-o em um ambiente mais
seguro. Sem conseguir chamar sua atenção com a autoagressão, a criança vai
buscar outras possibilidades, como apagar e acender a luz, ligar e desligar
equipamentos eletrônicos etc. Só fique atenta para a possibilidade de esse
comportamento estar refletindo algum problema emocional, que, aí sim, merece a
atenção dos pais.
Se a criança começar a apresentar
comportamentos autodestrutivos, como se arranhar, bater em sua cabeça e puxar
os cabelos, frequentemente em situações cotidianas, vale a pena consultar um
especialista porque isso pode indicar uma tentativa da criança de evitar o
contato com algo que esteja lhe causando angústia.
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